quarta-feira, 4 de novembro de 2009

MORRE CLAUDE LÉVI-STRAUSS



Claude Lévi-Strauss. Foto tirada em 8 de junho de 2001

Ele é considerado o fundador da Antropologia Estruturalista.

Claude Lévi-Strauss, morto no último sábado (1º), aos 100 anos de idade, foi um dos intelectuais mais relevantes do século XX. Destacado antropólogo, ele é considerado o pai do enfoque estruturalista, que influiu de maneira decisiva na filosofia, na sociologia, na história e na teoria literária. Poucos pensadores foram tão longe quanto Lévi-Strauss na exploração dos mecanismos ocultos da cultura, segundo o obituário publicado nesta terça-feira (3) no jornal francês "Le Monde". "Por vias diversas e convergentes, ele se esforçou para compreender a grande máquina simbólica que reúne todos os planos da vida humana, da família às crenças religiosas, das obras de arte às maneiras à mesa", diz o principal diário do país. Considerado um precursor da ecologia, segundo o jornal "Le Figaro", Lévi-Strauss escrevia de forma admirável sobre o funcionamento da sociedade. Autor de “Tristes Trópicos”, considerada um das mais importantes livros de não-ficção do século passado, ele viveu no Brasil nos anos 1930, e atuou como professor visitante na Universidade de São Paulo (USP). Na obra, ele narra seu encontro com índios no Mato Grosso e na Amazônia, fruto de expedições realizadas enquanto viveu no país. "Gigante do pensamento francês", segundo a revista "Nouvel Observateur", Lévi-Strauss era conhecido em todo o mundo como o mestre da antropologia moderna. "Filosofo de formação, este pioneiro do estruturalismo viajou o mundo para estudar os mitos”, diz a publicação na internet.

Centenário e lúcido

Ao completar 100 anos de vida, em 28 de novembro de 2008, reportagens nas principais agências de notícias do planeta relatavam que apesar de sua longevidade e intensa atividade intelectual desde antes da 2ª Guerra Mundial, Lévi-Strauss, membro da Academia da França desde 1973, gozava de boa saúde e se mantinha lúcido. Francês, ainda que nascido em Bruxelas (Bélgica) em 28 de novembro de 1908, este humanista era filho de um judeu agnóstico de origem alsaciana que o educou em um ambiente artístico, embora tenha terminado cursando Direito e Filosofia na Sorbonne de Paris. Autor também de "Mitologias", lecionou como professor desta última disciplina até receber um convite de Marcel Mauss, pai da etnologia francesa, para ingressar no recém-criado departamento de etnografia. Foi assim que despertou em Lévi-Strauss a curiosidade por um campo do conhecimento no qual desenvolveria uma brilhante carreira e que lhe concedeu um "lugar proeminente entre os pesquisadores do século 20", explicou à Agência Efe o professor de Antropologia Social da Universidade Complutense de Madri Rafael Díaz Maderuelo.

Na Amazônia

Sua nova vocação o levou a aceitar um posto como professor visitante na Universidade São Paulo (USP), de 1935 a 1939, estadia que lhe possibilitou realizar trabalhos de campo no Mato Grosso e na Amazônia. Ali teve estadias esporádicas entre os índios bororós, nambikwaras e tupis-kawahib, experiências que o orientaram definitivamente como profissional de antropologia, campo no qual seu trabalho ainda hoje "continua sendo válido para a maioria dos antropólogos", declarou Díaz Maderuelo sobre o autor de "O Pensamento Selvagem". Após retornar à França, em 1942, mudou-se para os Estados Unidos como professor visitante na New School for Social Research, de Nova York, antes de uma breve passagem pela embaixada francesa em Washington como adido cultural. Novamente em Paris, foi nomeado diretor associado do Museu do Homem e se tornou depois diretor de estudos na École Pratique des Hautes Études, entre 1950 e 1974, trabalho que combinou com seu ensino de antropologia social no Collège de France, até sua aposentadoria em 1982, quando dirigia o Laboratório de Antropologia Social. Discípulo intelectual de Émile Durkheim e de Marcel Mauss, além de interessado pela obra de Karl Marx, pela psicanálise de Sigmund Freud, pela linguística de Ferdinand Saussure e Roman Jakobson, pelo formalismo de Vladimir Propp etc., era ainda um apaixonado por música, geologia, botânica e astronomia.

Três contribuições

As contribuições mais decisivas do trabalho de Lévi-Strauss podem ser resumidas em três grandes temas: a teoria das estruturas elementares do parentesco, os processos mentais do conhecimento humano e a estrutura dos mitos. A teoria das estruturas elementares defende que o parentesco tem mais relação com a aliança entre duas famílias por casamento respectivo entre seus membros que, como sustentavam alguns antropólogos britânicos, com a ascendência de um antepassado comum. Para Lévi-Strauss, não existe uma "diferença significativa entre o pensamento primitivo e o civilizado", declarou Díaz Maderuelo, pois a mente humana "organiza o conhecimento em processos binários e opostos que se organizam de acordo com a lógica" e "tanto o mito como a ciência estão estruturados por pares de opostos relacionados logicamente". Compartilham, portanto, a mesma estrutura, só que aplicada a diferentes coisas. A respeito dos mitos, o intelectual sustenta, desde a reflexão sobre o tabu do incesto, que o impulso sexual pode ser regulado graças à cultura. "O homem não mantém relações indiscriminadas, mas as pensa previamente para distinguir-las. Desde este momento perdeu sua natureza animal e se transformou em um ser cultural", comentou Díaz Maderuelo. Para Lévi-Strauss, as estruturas não são realidades concretas, estando mais próximas a modelos cognitivos da realidade que servem ao homem em sua vida cotidiana. As regras pelas quais as unidades da cultura se combinam não são produto da invenção humana e a passagem do animal natural ao animal cultural - através da aquisição da linguagem, da preparação dos alimentos, da formação de relações sociais, etc - segue leis já determinadas por sua estrutura biológica.
Fonte: G1

terça-feira, 3 de novembro de 2009

RELAÇÕES ECOLÓGICAS

Sociedade dos Cupins
RELAÇÕES ECOLÓGICAS

RELAÇÕES INTRA-ESPECÍFICAS / HARMÔNICAS OU POSITIVAS
1. Sociedade: os organismos sociais podem movimentar-se livremente dentro da sociedade, como também abandonar o substrato de morada e deslocar-se pelo meio ambiente, coletando alimento; diferem das colônias basicamente pela independência física de seus integrantes. Ex: cupim, abelhas, formiga,...

2. Colônia: os indivíduos associados se acham unidos através de um substrato ou esqueleto comum, revelando uma profunda interdependência fisiológica.
AS COLÔNIAS PODEM SER:
1. ISOMORFAS ou HOMOTÍPICAS: os organismos apresentam a mesma forma, são iguais e executam todas as funções vitais ( não apresenta divisão de trabalho);
ex: corais (Coelenterata); esponjas; Balanus (Crustacea, cracas); bactérias; entre outros.
2. HETEROMORFAS ou HETEROTÍPICAS: os indivíduos são morfologicamente diferentes, ocorrendo a divisão de trabalho.
Ex: Physalia caravela, popularmente conhecida por “caravelas”. Formam colônias com indivíduos especializados:
1. proteção e defesa: dactilozóides;
2.reprodução: gonozóides;
3.natação: nectozóides;
4.flutuação: pneumozóides;
5.alimentação: gastrozóides.
Tanto nas colônias como nas sociedades, os indivíduos cooperam uns com os outros, apresentando profundo grau de interdependência; os indivíduos encontram-se organizados em castas, e a presença de polimorfismo (características morfológicas diferentes).

3. CANIBALISMO (RELAÇÃO INTRA-ESPECÍFICA NEGATIVA-DESARMÔNICA): é uma relação estabelecida por seres da mesma espécie que comem outros seres de sua própria espécie. Pode ocorrer em uma situação de completa falta de alimento. Ex: RATOS podem comer seus próprios filhotes; ARANHA viúva-negra, que logo após o acasalamento, devora o macho. LOUVA-DEUS, a fêmea devora a cabeça do macho após o acasalamento, em um ritual canibalístico. CANIBALISMO INTRA-UTERINO: é o caso dos filhotes de algumas espécies de tubarão, que ainda no útero materno devoram os “irmãos” menores como uma fonte de alimento para completar seu desenvolvimento.

RELAÇÕES INTER-ESPECÍFICAS HARMÔNICAS (POSITIVAS)
4. SIMBIOSE (MUTUALISMO OBRIGATÓRIO): relação entre indivíduos de espécies diferentes, onde as duas espécies envolvidas são beneficiadas sendo a associação necessária para a sobrevivência de ambas. Ex. associação de algas e fungos formando os liquens. Relação entre os cupins e protozoário (Tryconinpha): os cupins, ao comerem a madeira, não conseguem digerir a celulose, em seu intestino vivem os Tryconinpha, capazes de digeri-la, permitindo que os cupins aproveitem essa substância como alimento. Bacteriorriza: é o nome que se dá à associação formada pelas bactérias do gênero Rhizobium com as células das raízes de leguminosas, onde se originam as nodosidades. Leguminosa, evidenciando em suas raízes as nodosidades do gênero Rhizobium. Essas bactérias fixam o nitrogênio atmosférico. Transformando-o em compostos nitrogenados, que cedem às leguminosas. Estas usam o nitrogênio na síntese de seus aminoácidos e proteínas. Em troca, as leguminosas cedem, às bactérias, substâncias orgânicas que sintetizam.

5. MUTUALISMO FACULTATIVO (PROTOCOOPERAÇÃO): pelo menos um dos parceiros pode sobreviver separado do outro; os indivíduos não estão fisicamente ligados. Uma relação mutualística é simplesmente aquela em que organismos de espécies diferentes interagem em seu benefício mútuo. Em geral envolve a troca direta de bens ou serviços, como alimento, defesa ou transporte, e tipicamente resulta a aquisição de capacidades novas ao menos por um parceiro (Herre et al., 1999). O mutualismo não implica necessariamente uma associação física fechada: mutualistas não precisam ser simbiontes (Begon et al., 2007). Ex: Anêmona-do-mar e paguro; dispersores de sementes; polinizadores; anu e bovinos; pássaro-palito e jacaré, etc.

6. INQUILINISMO OU EPIBIOSE: o inquilinismo é definido como uma associação interespecífica harmônica, na qual apenas uma espécie se beneficiada sem, existir prejuízo para a outra espécie associada. O inquilino obtém abrigo (proteção) ou ainda suporte no corpo da espécie hospedeira. Ex: interação existente entre orquídeas ou bromélias e as árvores em cujo tronco se instalam (não há postura de parasitismo). Estas plantas são classificadas como EPÍFITAS (epi = em cima), esse tipo de inquilinismo é denominado EPIFITISMO.

O INQUILINISMO e o COMENSALISMO: são associações em que apenas um dos participantes se beneficia, sem, causar prejuízo ao outro. A diferença entre essas relações reside no fato de que no comensalismo relaciona-se com a alimentação e no inquilinismo a proteção. O peixe (Fieraster) encontra proteção no corpo do pepino-do-mar, o qual, por sua vez, não recebe benefício nem sofre desvantagem. Esse pequeno peixe, quando perseguido por algum inimigo natural, procura uma holotúria e penetra em seu ânus, abrigando-se no tubo digestivo desse equinodermo.

7. COMENSALISMO: o indivíduo usa restos da alimentação de outro, sem prejudicá-lo. Ex.: Hienas, que aproveitam restos das presas dos leões; Rêmoras que se aproveitam dos restos de alimento dos tubarões; Peixe-piloto. No intestino humano podem-se encontrar protozoários comensais, como a Entamoeba coli, que se nutrem de restos digestivos, sendo, beneficiados com a associação que estabelecem com o homem; não causam nenhum tipo de prejuízo a nosso organismo, em condições normais.

INTER-ESPECÍFICAS NEGATIVAS (DESARMÔNICAS)

8. AMENSALISMO OU ANTIBIOSE: é uma interação em que uma determinada espécie produz e liberta substâncias tóxicas que impede ou inibe o desenvolvimento de outros indivíduos, espécies, ou populações. A vegetação herbácea é escassa sob as nogueiras (Juglans regia e J. nigra) porque a água das chuvas, que escorre pelos troncos e pelas folhas arrasta com ela um composto tóxico que atua desfavoravelmente sobre a vegetação que cresce na sua vizinhança. O fungo Penicillium notatum produz uma substância que inibe o crescimento de bactérias no meio, fato que conduziu à descoberta da penicilina. Maré vermelha: sob determinadas condições ambientais, algumas espécies de Dinoflagelados, produzem substâncias altamente tóxicas, que são intensamente espalhados, formando enormes manchas vermelhas no oceano. A alta concentração dessas substâncias tóxicas provoca grande mortalidade de animais marinhos.

9. SINFILIA OU ESCLAGISMO: é a interação desarmônica na qual uma espécie captura e faz uso do trabalho, das atividades e até dos alimentos de outra espécie. Ex: formigas e pulgões: os pulgões parasitam certos vegetais alimentando-se da seiva que é rica em açúcares e pobre em aminoácidos. Como conseqüência da digestão dos carboidratos, os pulgões produzem excessiva quantidade de material açucarado, grande parte do qual eliminam com as fezes, o qual é aproveitado pelas formigas. Como forma de obter alimento, as formigas mantém pulgões cativos em seu formigueiro, fornecendo-lhes partes vivas de plantas e chegando até mesmo a “acariciá-los”, no sentido de estimulá-los a eliminar os produtos açucarados de que necessitam.

10. PREDAÇÃO: os predadores são organismos que matam outros organismos de que se alimentam. Esta interação desempenha uma importante função nas comunidades bióticas, pois constitui um dos processos fundamentais na regulação das densidades das populações. A interação predador-presa é uma relação dinâmica, em que cada espécie afeta a evolução da outra, ou seja, ao longo do processo evolutivo, predadores e presas tendem a aperfeiçoar os respectivos mecanismos de ataque e fuga. O gafanhoto, em bandos, devora rapidamente toda uma plantação. Nos casos em que a espécie predada é vegetal, costuma-se dar ao predatismo o nome de HERBIVORISMO. São poucos os casos em que o predador é uma planta. As plantas insetívoras, são bons exemplos, pois aprisionam e digerem principalmente insetos. Existem predadores generalistas, como o TEXUGO (Meles meles), que aproveitam os recursos alimentares disponíveis no meio (seu espéctro trófico é variado incluindo frutos, insetos, mamíferos, minhocas, etc). A coruja-das-torres (Tyto alba) alimenta-se de vários tipos de presas, mas prefere ratos. O lince-Ibérico (Lynx pardinus) é predador quase que exclusivamente de coelhos. Predadores especialistas como este utilizam somente os excedentes das populações presa, pois se as eliminassem totalmente sucumbiriam também.

11. COMPETIÇÃO (INTER E INTRA-ESPECÍFICA): compreende a interação ecológica em que indivíduos da mesma espécie ou de espécies diferentes disputam alguma coisa, como alimento, território, luminosidade. Pode ser intra-específica ou inter-específica; esse tipo de interação favorece um processo seletivo, com a preservação das formas de vida mais bem adaptadas ao meio, e a eliminação de indivíduos com baixo poder adaptativo. Constitui um fator regulador da densidade populacional, contribuindo para evitar a superpopulação das espécies. O princípio de competição exclusiva (Gause, 1932): “Duas espécies não podem coexistir indefinidamente sobre um mesmo recurso limitante”. Experimentos similares em uma variedade de organismos mostraram o mesmo resultado: uma espécie persiste e outra se extingue em 30-70 gerações.
QUANDO É POSSÍVEL A COEXISTÊNCIA DE ESPÉCIES POTENCIALMENTE COMPETIDORAS? Se duas espécies coexistem em um ambiente estável, elas o fazem como resultado de diferenciação de nichos, mais precisamente, de nichos realizados. Ainda segundo o princípio de competição exclusiva, para espécies coexistirem utilizando recursos limitantes, é necessária diferenciação de nichos.

Predação

Planta Insetívora

Mutualismo obrigatório (simbiose)

Mutualismo facultativo

Esclavagismo

Epifitismo

Comensalismo

Colônia Isomorfa

Colônia Heteromorfa

Antibiose

Autor: Maria José Lunardon Branco, PhD.

Suporte ecoaula

terça-feira, 20 de outubro de 2009

NOVE PAPAGAIOS AMEAÇADOS DE EXTINÇÃO SÃO APREENDIDOS PELA FORÇA VERDE

Nove filhotes de papagaio Amazona aestiva foram apreendidos na noite de terça-feira (13) na zona norte de Londrina. Policiais da 4ª Companhia da Polícia Militar (PM) flagraram um representante comercial de Colorado, Noroeste do estado, em um veículo em Londrina. A ave está ameaçada de extinção e o transporte dela configura tráfico de animais. O homem foi detido e assinou um termo circunstanciado. Mesmo assim, ele pagará multa de R$ 45 mil. “Provavelmente ele veio para cá vender as aves. Mas não nos informou onde”, contou o sargento Reinaldo Vasconcelos dos Anjos, da Polícia Ambiental Força Verde. De acordo com ele, a multa para o tráfico de animais normalmente é de R$ 500. “Mas como os animais são ameaçados de extinção, a multa passa para R$ 5 mil por ave.”


Os filhotes do papagaio foram encaminhados ao Hospital Veterinário da Universidade Estadual de Londrina (UEL) para tratamento médico. “Eles estavam com saúde debilitada. Alguns deles quase desmaiados por alimentação inadequada. Eles serão encaminhados posteriormente para algum criador autorizado ou devolvidos à natureza”, explicou. O sargento considerou o crime como “bárbaro”. “É bárbaro pela situação. O papagaio é um animal muito procurado pelo tráfico porque se adapta com certa facilidade ao convívio humano. Mas passa por um trauma quando sai pela natureza. Muitos morrem no próprio transporte e os que sobrevivem acabam morrendo por alimentação inadequada”, disse.

O nome do representante comercial não foi divulgado. O sargento explicou que, por se tratar de um crime com pena de menos de dois anos de prisão, ele pode assinar o termo circunstanciado e ser liberado.
Fonte: Gazeta do Povo Online

ESPECIALISTA DIZ QUE EM 20 ANOS OCEANO ÁRTICO PODE NÃO TER MAIS GELO NO VERÃO


Um especialista em gelo polar afirmou que o Oceano Ártico poderia perder todo o seu gelo durante o verão e se tornar navegável nos meses mais quentes em até 20 anos."É como se o homem estivesse tirando a tampa da parte norte do planeta", afirma o professor Peter Wadhams, da Universidade de Cambridge. Pen Hadow, pesquisador da Catlin Arctic Survey, estudo realizado durante uma expedição de 435 quilômetros no Ártico Wadhams vem estudando o gelo ártico desde os anos 60. Em uma palestra em Londres, ele apresentou os resultados da Catlin Arctic Survey, uma pesquisa realizada durante uma expedição de 435 quilômetros ao longo do Ártico este ano. Uma equipe liderada pelo explorador Pen Hadow descobriu que as camadas de gelo que se formam no verão têm cerca de 1,8 metros de profundidade, o que é considerado muito pouco em relação ao histórico da região.
Novo consenso

"Os dados da Catlin Arctic Survey servem de base ao novo consenso - baseado na variação sazonal da extensão e profundidade do gelo - de que o Ártico não terá gelo no verão em cerca de 20 anos, e muito dessa diminuição ocorrerá em dez anos", diz Wadhams, que analisou os dados da expedição. "Isso significa que você poderá tratar o Ártico como se fosse fundamentalmente um mar aberto no verão, com possibilidade de transporte pelo Oceano Ártico." Segundo Wadhams, no curto prazo, o derretimento traz alguns benefícios, como mais facilidade na navegação e maior acesso a reservas de petróleo e gás. Mas no longo prazo, a perda permanente do gelo pode acelerar o aquecimento global, mudar os padrões de ventos nos oceanos e na atmosfera e ter efeitos desconhecidos em ecossistemas devido ao aumento da acidez das águas. Pen Hadow e seus parceiros Ann Daniels e Martin Hartley enfrentaram ventos fortes, temperaturas de menos de 70 graus, falta de comida e atrasos no suprimento de mantimentos durante a expedição entre os dias 1º de março e 7 de maio. Hadow admite que a expedição não produziu nenhum "grande salto adiante no conhecimento", mas afirma que ela ajudou os cientistas a entender mais sobre o gelo, com dados que não estavam disponíveis nas medições por satélite e por submarinos. O explorador disse que está chocado com a perspectiva de "em minha vida vermos mudanças em como o planeta é visto do espaço". Ele também disse que as expedições para o Ártico mudaram, e são diferentes do passado, quando cães puxavam trenós pelo gelo. "Os cachorros conseguem nadar, mas eles não conseguem puxar um trenó na água, que é o que precisamos agora", disse. "Agora temos que vestir roupas de mergulho e nadar, e precisamos de trenós que boiam. Eu prevejo trenós que são mais parecidos com canoas, para que possam ser puxados na água."
Fonte: BBC Brasil

ANP VAI COMEÇAR PERFURAÇÕES PARA MAPEAR ÁREA AINDA NÃO CONCEDIDA PARA PRÉ-SAL


Até o próximo mês, a Agência Nacional de Petróleo (ANP) vai começar a perfurar os poços para mapear os 5 bilhões de barris de petróleo que serão repassados para capitalizar a Petrobras – caso o projeto de lei que prevê essa transação seja aprovado no Congresso Nacional. De acordo com o diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, os furos serão feitos nas proximidades das bacias de Tupi e Iara, porém, na área que ainda não foi concedida para exploração. “Imagino que precisemos fazer três ou quatro furos no máximo, mas se encontrarmos a quantidade necessária antes disso, estará finalizada a operação”, explicou Lima.


Ele esteve na Câmara hoje (15), para audiência pública na comissão especial que analisa o projeto de exploração e produção do pré-sal. A audiência, contudo, foi adiada para terça-feira (20) devido à falta de quórum dos deputados. Haroldo Lima disse ainda que cada furo para buscar os 5 bilhões de barris de petróleo deverá custar entre R$ 120 milhões e R$ 130 milhões, que serão pagos com recursos de pesquisa e desenvolvimento (P&D). O dinheiro é proveniente de parte da participação especial que as petroleiras pagam para entrar nas licitações de exploração de petróleo. Essa verba é gerenciada pela ANP, que geralmente contrata a Petrobras para fazer as prospecções.


Na opinião Lima, não há problema ético em usar recursos públicos para buscar o petróleo que será repassado diretamente à Petrobras, sem licitação. “Nosso papel é encontrar o petróleo, o que será feito dele é problema da União”, afirmou Lima. Ele argumentou também que os recursos de P&D existem justamente para a prospecção de áreas de petróleo e é para isso que o dinheiro será usado. Ao sair da rápida reunião com deputados, Haroldo Lima ressaltou ainda que o governo não pretende interferir no preço do álcool combustível, nem na porcentagem do produto na gasolina por enquanto.

Fonte: Mariana Jungmann / Agência Brasil

ATIVISTAS DO GREENPEACE FAZEM MANIFESTAÇÃO CONTRA CONSUMO DE ALIMENTOS TRANSGÊNICOS

Um grupo de ativistas do Greenpeace interrompeu hoje (15) a reunião da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) que apresentava, no auditório do Ministério da Ciência e Tecnologia, os processos para liberar a produção de arroz transgênico. Eles são contrários ao consumo desses alimentos.
O presidente da comissão, Walter Colli, começava a mostrar a relação dos institutos pesquisadores, com seus respectivos processos, quando foi surpreendido por uma ativista que usava uma máscara com o rosto da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, acompanhada por um “assessor” e outros ativistas vestidos com macacões e máscaras de proteção contra contaminação química. Outros integrantes da entidade seguravam cartazes que diziam: “Dilma, veneno no meu prato não”. Eles distribuíram arroz-doce aos membros da CTNBio, para representar o arroz transgênico. O protesto foi, também, direcionado à Dilma Rousseff, que desempenha a função de presidente do Conselho Nacional de Biossegurança, cargo que dá a ela o poder de vetar qualquer pedido da indústria de transgênico para a liberação de novas culturas. “Na véspera do Dia Mundial da Alimentação, precisamos chamar atenção para o risco da produção do arroz transgênico ou qualquer outro tipo de alimento geneticamente modificado no país. Desde que foram liberados, só vimos o aumento do uso de veneno no campo e produtores perdendo dinheiro. O brasileiro não quer veneno no prato!”, disse o coordenador da campanha, Rafael Cruz. A Polícia Militar foi chamada para conter a movimentação dos ativistas, porém, por se tratar de uma audiência pública, eles não foram retirados. Walter Colli informou que era preciso continuar o encontro, já que os membros da CTNBio tinham horários de voo marcados, porém, deixou claro, que era preciso manter a ordem. Os ativistas se mantiveram à frente da mesa dirigente acompanhando a audiência. A personagem, caracterizada de Dilma Rousseff permaneceu ao lado do presidente da comissão.
O Greenpeace realizará outras atividades em comemoração ao Dia Internacional da Alimentação, comemorado amanhã (16). Na capital federal, fará eventos no Parque Olhos D'Água, a partir das 16h. No sábado (17), será na Torre de TV às 9h e, no domingo (18), no Parque da Cidade.
Fonte: Agência Brasil

GREENPEACE QUESTIONA EFICÁCIA DE PROJETO 'MODELO' DE REDUÇÃO DE EMISSÕES


Um projeto anunciado como "modelo" de redução de emissões por desmatamento e degradação de florestas (Redd, na sigla em inglês) na Bolívia teve a sua eficácia duramente questionada por um estudo divulgado pelo Greenpeace nesta quinta-feira. O Projeto de Ação Climática Noel Kempff foi financiado pelas empresas americanas American Electric Power, BP America e PacifiCorp, que em 12 anos injetaram mais de US$ 10 milhões na criação de uma área de proteção florestal no nordeste da Bolívia.



As empresas compraram áreas de madeireiras, e o governo criou o Parque Nacional Noel Kempff

Mercado

Os créditos pelas emissões evitadas foram divididos entre as empresas (51%) e o governo (49%). Inicialmente, de acordo com o relatório do Greenpeace, os cálculos indicavam que a iniciativa evitaria a emissão de 55 milhões de toneladas de CO2 em 30 anos, no entanto, um auditor externo reduziu o número para 5,8 milhões. As empresas do projeto de Redd boliviano, entretanto, afirmaram ao Departamento de Energia americano ter poupado 7,4 milhões de toneladas de CO2.



'Vazamento'

A empresa que realizou a auditoria, a SGS, era a maior empresa do mundo especializada em verificar sistemas de créditos de carbono, mas foi suspensa pela ONU em setembro por não verificar projetos satisfatoriamente. A conclusão, segundo o Greenpeace, é que iniciativas de Redd como o Projeto de Ação Climática Noel Kempff "provavelmente não iriam gerar reduções de emissões quantificáveis e podem até resultar em um aumento total nas emissões de gases do efeito estufa", já que empresas poluidoras poderiam comprar créditos que não levam a reduções enquanto continuariam poluindo. Para evitar isso, o Greenpeace sugere que projetos como o boliviano sejam sempre atrelados a metas nacionais de redução de emissões. Os ambientalistas apontam ainda outros supostos "fracassos" do projeto, como "vazamentos" de emissões - ou seja, desmatamentos supostamente evitados que simplesmente teriam sido deslocados para fora da área do parque.


Nos relatórios enviados às Nações Unidas e ao governo americano, o "vazamento" foi estimado em cerca de 15%. "No entanto, o Greenpeace encontrou documentos estimando e projetando o vazamento de até 42% a 60%", diz o relatório intitulado "Armação do Carbono: O Projeto de Ação Climática Noel Kempff e a Pressão por Compensações Florestais Subnacionais". Além disso, a ONG diz que em entrevistas com a comunidade local, descobriu que o projeto não teria beneficiado a região como deveria. Para projetos Redd darem certo, na avaliação do Greenpeace, todos os países deveriam assumir o compromisso de acabar com o desmatamento no mundo até 2020. Os ambientalistas sugerem a criação de um fundo que arrecade US$ 40 bilhões por ano para investimentos na proteção de florestas.

Fonte: BBC Brasil

PELAS RUAS: TARTARUGA MARINHA MARCADA NO URUGUAI CHEGA AO RS APÓS QUATRO MESES

Desde que uma tartaruga marinha com a identificação de um instituto da Flórida, Estados Unidos, foi levada ao Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos (Ceclimar), há 12 dias, especulações sobre a procedência do animal não faltaram. Hoje, após trocas de e-mails entre a instituição e a entidade americana, o mistério acabou. Popularmente conhecida como tartaruga-verde, o réptil, da espécie Chelonia mydas, foi anilhada no Parque Nacional de Santa Teresa, em Rocha, no Uruguai, quatro meses antes de ser encontrada por pescadores em Mostardas, conforme a bióloga do Ceclimar, Cariane Campos Trigo, que recebeu a confirmação sobre a procedência apenas nesta quinta.


— Vimos que a anilha metálica é da Florida. Chegamos a pensar que a tartaruga tivesse vindo dos Estados Unidos. Mandei e-mail para o centro de pesquisa na Flórida e eles me responderam que são fornecedores para diversos países. Somente agora tivemos a certeza de que ela veio do Uruguai — explica Cariane.
A tartaruga-verde, de cerca de 35 centímetros de casco e 3,9 quilos, foi entregue ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) por um grupo de pescadores e encaminhada ao Ceclimar noinício de outubro. Após identificado um problema no olho esquerdo, a tartaruga foi transferida para o Hospital de Clínicas Veterinárias da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), para a avaliação de um especialista. A veterinária, mestranda em oftalmologia, Paula Stieven Hünning, realizou uma série de exames na tartaruga, na semana passada, e constatou que ela tem uma lesão de córnea:
— Estamos administrando um colírio antibiótico a cada duas horas. Na semana que vem ela deve passar por uma cirurgia para remoção do olho. É provável que ela fique bem e seja reintroduzida ao ambiente de novo.
Cuidados

Enquanto aguarda a intervenção cirúrgica, o réptil foi acomodado em um tanque com pouca água e um pano úmido para mantê-la sempre hidratada, sem ficar submersa. O diretor do Hospital de Clínicas Veterinárias da UFRGS, o veterinário Marcelo Alievi, conta ainda que a paciente se alimenta bem, por meio de uma sonda.

Programas de marcação de espécies

Em vários países estão instalados programas de marcação das espécies, como o Projeto Tamar no Brasil, para desvendar as rotas migratórias.
— Sabemos que esta espécie vem para o nosso Litoral, mais ou menos neste tamanho, para se alimentar. Quando jovem é carnívora e, herbívora na idade adulta, quando atinge cerca de 60 centímetros. Por isso, quando fica adulta, vai embora do RS em busca de algas — afirma Cariane. A bióloga pede que a comunidade entre em contato com as instituições responsáveis pelo recebimento de seres marinhos sempre que encontrarem um animal, principalmente, com anilhas, para auxiliar nas pesquisas. No Litoral Norte, o contato pode ser feito com o Ceclimar pelo telefone (51) 3627-1309 (51) 3627-1309.
Fonte: Kamila Almeida / Zero Hora

DESMATE VOLTA A SUBIR NA AMAZÔNIA, DIZ ONG.

Depois de um ano em queda, o desmatamento na Amazônia Legal voltou a subir pelo segundo mês consecutivo em agosto. Na avaliação do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), que divulgou os dados na terça-feira (13), o maior desmatamento é resultado do programa Terra Legal, que está dando a posseiros títulos de terra públicas na Amazônia. Os dados divulgados pela ONG indicam aumento de 167% na área desmatada, na comparação entre agosto deste ano com o mesmo mês de 2008. Imagens de satélite detectaram que 273 km2 de floresta foram derrubados. Em agosto de 2008, o SAD (Sistema de Alerta de Desmatamento) indicou que essa área correspondeu a 102 km2.

ESSE É O CUIDADO QUE TEMOS PARA COM NOSSA FLORESTA AMAZÔNICA !!!

Segundo o instituto, cerca de 46% desses 273 km2 podem ter sido desmatados antes. Isso porque, em meses anteriores, parte das regiões estava encoberta por nuvens, e não pôde ser observada. De novo, o Pará lidera entre os Estados cobertos pela floresta. Aproximadamente 76% da derrubada da mata de agosto ocorreu em seu território.

O ranking é completado por Mato Grosso (8%), Amazonas (6%), Rondônia (5%) Acre e Amapá (ambos com 2%) e Roraima (1%).Segundo Adalberto Veríssimo, pesquisador da ONG, o crescimento da destruição da floresta indica que a tendência de queda --observada entre junho do ano passado e junho deste ano e comemorada pelo governo federal- não é mais uma realidade. Em julho deste ano, o desmatamento já havia aumentado 93%, de acordo com a ONG. Para Veríssimo, o dado "mais alarmante" é que, pela primeira vez, cerca de metade do desmatamento está ocorrendo em áreas sob a responsabilidade da União, e não mais em propriedades produtivas privadas --principal foco da fiscalização governamental, afirma.Em agosto, 132 km2 foram destruídos em unidades de conservação e terras indígenas, por exemplo. Isso, afirma Veríssimo, mostra que a eficácia da atual política de combate à destruição da Amazônia pode estar chegando ao seu limite.

"É como assaltar a delegacia", diz, sobre a falta de controle do Estado sobre suas próprias áreas. Veríssimo afirma que está ocorrendo uma mudança também em relação ao objetivo da derrubada da mata. Antes, a maior parte do desmatamento era produtivo e servia para abrir caminho para a agricultura e a pecuária. Agora, ele é majoritariamente especulativo e serve para garantir a posse da terra. Ele vê dois fatores que aceleraram esse processo. O primeiro é a sinalização do governo de que deve negociar a diminuição de reservas ambientais - o que incentiva invasões, diz. O segundo é a implementação do programa Terra Legal.
Fonte: João Carlos Magalhães

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

CHINA PROMETE PLANTAR FLORESTAS E USAR ENERGIAS RENOVÁVEIS

Na conferência de mais alto nível já realizada pela ONU para discutir a mudança climática, o governo da China comprometeu-se, nesta terça-feira (22) a plantar árvores suficientes para cobrir uma área igual à da Noruega e que, dentro de uma década, pelo menos 15% da energia consumida no país virá de fontes renováveis. O presidente chinês Hu Jintao também prometeu "passos determinados e práticos" para aumentar o uso de energia nuclear, melhorar a eficiência energética e reduzir, "por uma margem notável", a taxa de crescimento das emissões de carbono na comparação com o crescimento da economia. "Em jogo na luta contra o aquecimento global estão os interesses comuns de todo o mundo", disse Hu. "Por conta de um senso de responsabilidade para com seu próprio povo e com os povos do mundo, a China compreende completamente a importância e a urgência de se atacar a mudança climática".Muita atenção foi dada também ao primeiro discurso do presidente dos EUA, Barack Obama, na ONU. Ele disse que seu país está "determinado a agir". "A ameaça da mudança climática é séria, é urgente e está aumentando", disse Obama. "E o tempo para virar a maré está acabando". As ambições mais específicas da China, no entanto, falaram mais alto que a retórica quando o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, cobrou de presidentes, primeiros-ministros e outros líderes a "aceleração do passo das negociações e fortalecer a ambição das ofertas" para o novo pacto mundial que terá de ser formado em dezembro,em Copenhague. "O fracasso em atingir um acordo amplo em Copenhague seria moralmente indesculpável, economicamente míope e politicamente pouco inteligente", advertiu. "A ciência exige. A economia mundial requer".

A cúpula da ONU desta terça e a reunião do G20 marcada par Pittsburgh, mais para o fim da semana, têm, o objetivo de aumentar a pressão sobre os países ricos para que se comprometam, em Copenhague, com cortes obrigatórios nas emissões de gases causadores do efeito estufa a partir de 2013, e para que paguem para que os países mais pobres preservem suas florestas, queimem menos combustíveis fósseis e adaptem-se às condições do clima em mudança. Mas a China e outras economias em rápido desenvolvimento não aceitarão cortes obrigatórios de emissão de gases do efeito estufa. Os países em desenvolvimento "não se deve pedir (que os países em desenvolvimento) assumam obrigações além de seu estágio de desenvolvimento", disse Hu. Líderes disseram que, restando apenas três semanas de negociações, a probabilidade aumenta de que o resultado de Copenhague seja algo menos que um tratado pleno.

Decepção - Ambientalistas mostraram-se desapontados pelas falas de Obama e Hu."Foi um pouco decepcionante que a china não desse um número para a intensidade de gases causadores do efeito estufa. Esperava que saísse agora", disse Knut Alfsen, chefe de pesquisas do Centro Internacional de Pesquisas de Clima e Energia, de Oslo. "Mas foi um progresso. Há cinco anos, o clima nem era uma questão na China".

Ambientalistas atacaram Obama por ter sido muito genérico em seu discurso. "Estamos muito desapontados, mesmo, com o que Obama disse", afirmou o coordenador para clima do Greenpeace Internacional, Thomas Henningsen."Foi mais um passo para trás que para a frente", acrescentou, destacando que Obama, ao contrário de outros países, noa se comprometeu com nenhuma medida concreta.
Fonte: Estadão

DESASTRES NATURAIS DESALOJAM MILHÕES DE PESSOAS, DIZ ESTUDO


Enchentes, tempestades, estiagens e outros desastres naturais levaram 20 milhões de pessoas a abandonar suas casas no ano passado, quase quatro vezes mais do que o número de pessoas desalojadas por conflitos, informou um novo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) na terça-feira (22). O estudo tentou quantificar pela primeira vez o número de pessoas forçadas a deixar suas casas por causa da mudança climática. O aquecimento global está provocando um aumento na frequência e na intensidade das tempestades e em outros padrões de alteração do clima, então, os desastres são agora "um motivador extremamente significativo de desalojamento forçado no mundo", disse o relatório. O estudo afirmou que, em 2008, 36 milhões de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas por causa de desastres naturais de início rápido. O terremoto de Sichuan, na China, foi responsável pelo desalojamento de 15 milhões dessas pessoas, mas os desastres relacionados ao clima desabrigaram 90 por cento do restante. O relatório disse que outras muitas pessoas provavelmente foram forçadas a deixar suas casas por crises de estabelecimento mais lento, como as secas. O relatório foi feito em conjunto pelo Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários e pelo Centro de Monitoramento de Deslocados Internos (IDMC), um organismo que normalmente monitora os deslocamentos provocados por conflito. O objetivo foi "ver se era possível colocar o problema em números e desenvolver uma metodologia que nos permita a fazer isso ao longo do tempo", disse a chefe do IDMC, Kate Halff.

A resposta foi "sim", embora Halff tenha advertido que o esforço de monitoramento até agora "não nos dá nenhuma ideia sobre o período que essas pessoas estão desalojadas ou sobre suas necessidades. Neste estágio, são apenas um número. "No ano passado, mais de cinco milhões de pessoas foram desalojadas por enchentes na Índia, atribuídas, em parte, às mudanças no ciclo de monções do país. Nas Filipinas, quase dois milhões de pessoas foram forçadas a sair de casa por fortes tempestades. China e Mianmar também registraram desalojamentos em larga escala em razão de tempestades. A Ásia foi responsável por 90 por cento dos deslocamentos relacionados a desastres do ano passado, porque, segundo o relatório, "a Ásia é a região mais propensa a desastres."
Fonte: JB Online

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

BANCO MUNDIAL PRESSIONA PAÍSES RICOS A AGIR CONTRA AQUECIMENTO


Os países mais ricos precisam agir imediatamente e reduzir à força a emissão de gases causadores do efeito estufa, ou os crescentes custos das mudanças climáticas atingirão desproporcionalmente os países pobres, afirmou o Banco Mundial nesta terça-feira (15/09/09). Em um profundo relatório sobre a ameaça da mudança climática, o Banco Mundial afirmou que países em desenvolvimento arcarão com cerca de 75 a 80 por cento dos custos causados pelos danos da mudança climática e que os países ricos, que causaram a emissão no passado, devem pagar a eles para adaptarem-se ao aquecimento global. A entidade afirmou que o cuidado com as mudanças climáticas nos países em desenvolvimento não precisa comprometer as medidas de combate à pobreza e o crescimento econômico, mas salientou que o financiamento e suporte técnico dos países ricos é fundamental. O relatório é publicado antes da reunião de Copenhague em dezembro, onde os países esperam chegar a um acordo global para combater as mudanças climáticas. "Os países do mundo precisa agir agora, em conjunto e de forma diferenciada sobre a mudança climática", apontou o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick. "Os países em desenvolvimento são desproporcionalmente afetados pela mudança climática - uma crise na qual não participaram fortemente e para a qual são os menos preparados. Por essa razão, um acordo equilibrado em Copenhague é vital", explicou. O estudo afirma que os países em desenvolvimento podem perder permanentemente entre 4 a 5 por cento de seu PIB se a temperatura da Terra subir 2 graus Celsius, enquanto que no países ricos as perdas serão muito menores.
Fonte: Estadão

ESTUDO PEDE QUE SUÍÇOS NÃO CONSUMAM CARNE E MAMÃO DO BRASIL

Um estudo recomenda que os suíços não consumam carne bovina nem mamões papaia do Brasil por causa da repercussão de seus sistemas de produção sobre o clima. O levantamento feito na Suíça analisou a influência dos produtos de origem animal e vegetal no meio ambiente em vários países. Segundo os pesquisadores, "a carne bovina procedente do Brasil tem forte influência sobre nosso clima, porque o gado é abatido a uma idade mais tardia devido a um sistema de produção diferente, de modo que, com uma vida mais longa, emitem um volume maior de gás metano, que gera efeito estufa". Além disso, o estudo destaca que "a forte demanda por carne proveniente do exterior provoca uma intensificação da destruição das selvas tropicais para satisfazer o mercado", o que afeta não só a biodiversidade vegetal e animal, mas também tem efeitos muito nocivos para o clima. Os pesquisadores apresentaram suas conclusões em uma conferência realizada na sede do Agroscope, organismo dependente do Ministério da Agricultura suíço, em Zurique. Os responsáveis pelo estudo também sustentam que, se o cultivo de mamão papaia no Brasil produz poucos gases estufa, "o transporte por avião até a Suíça eleva as emissões a um nível muito superior ao de todas as outras frutas". O transporte também foi apontado como um impedimento para o consumo de maçãs argentinas. Atlanti Bieri, porta-voz do Agroscope, disse à Agência Efe que o estudo comparou os produtos de origem animal e vegetal de muitos países. "O Brasil e a Argentina são mencionados em algumas das comparações porque esses produtos são vendidos nas lojas suíças, e o que estamos dizendo é que, no momento de comprar, é preciso levar em conta as consequências para o meio ambiente", afirmou Bieri. O porta-voz ainda explicou que os consumidores suíços estão preocupados com assuntos como a sobrevivência da floresta tropical, e daí essas recomendações. Além disso, com o transporte, esses produtos emitem mais gás carbônico do que os alimentos locais, o que também ocorreria se maçãs suíças fossem vendidas na Argentina, por exemplo. Os especialistas também recomendaram aos suíços para que, no momento de comprar carne nacional, deem preferência à suína frente à bovina, pois "o impacto ambiental dos bovinos é até quatro vezes superior por cada quilo de carne", já que as emissões de gás metano entre os suínos são muito menores.
Fonte: Estadão

terça-feira, 15 de setembro de 2009

CIENTISTAS BRITÂNICOS IDENTIFICAM GENE QUE CONTROLA COMBATE A DOENÇAS

Cientistas britânicos anunciaram o descobrimento de um gene que ajuda a mobilizar o sistema imunológico para combater doenças. O gene faz com que células-tronco do sangue se tornem células imunológicas conhecidas como Natural Killers (NK, ou Matadoras Natas). Células NK que funcionam de maneira adequada são um tipo de glóbulo branco chave para a defesa do organismo, matando células cancerosas, vírus e bactérias. Espera-se que a descoberta leve ao desenvolvimento de formas de estimular a produção de células de defesa do organismo, criando, potencialmente, uma nova forma de eliminar o câncer. Atualmente, as células NK separadas de sangue de doadores são usadas no tratamento de alguns pacientes com câncer, mas sua eficácia é limitada porque elas podem ter pequenas diferenças de pessoa para pessoa. O líder da pesquisa, Hugh Brady, disse: "Se um maior número de células-tronco do paciente puder ser 'coagido' a se transformar em células NK através de um tratamento químico, nós poderemos aumentar a força de combate do organismo ao câncer sem ter que lidar com os problemas de incompatibilidade ao doador. "Doenças auto-imunes - Segundo os pesquisadores, a identificação do gene E4bp4 pode ainda ajudar a desenvolver novos tratamentos para diabete tipo-1 e esclerose múltipla. Ambos os distúrbios ocorrem quando o sistema imunológico se volta contra os próprios tecidos do corpo. Alguns cientistas acreditam que o mau funcionamento de células NK é que provoca o ataque a células saudáveis. Para fazer a descoberta, os cientistas do Imperial College London, University College London e Instituto Nacional para Pesquisa Médica do Conselho de Pesquisa Médica da Grã-Bretanha criaram um rato sem o gene E4bp4. Estes animais eram absolutamente normais, exceto pela ausência de células NK. Os pesquisadores começaram a estudar o efeito do E4bp4 em uma forma rara mas fatal de leucemia infantil quando descobriram a importância das células NK.
Fonte: G1

PLANO VAI ORIENTAR POLÍTICA DE GESTÃO PARA ÁGUAS SUBTERRÂNEAS

O Programa Nacional de Águas Subterrâneas (PNAS) será lançado nesta terça-feira (15) pela Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano (SRHU), na abertura do I Congresso Internacional de Meio Ambiente Subterrâneo, em São Paulo, no Centro Fecomércio de Eventos. O lançamento será feito pelo diretor do Departamento de Águas da SRHU, João Bosco Senra. O programa tem o objetivo de ampliar os conhecimentos técnicos básicos, desenvolver a base legal e institucional para a correta gestão das águas subterrâneas. De acordo com João Bosco, o programa, que é o oitavo do Plano Nacional de Recursos Hídricos, estabelece a política para a água e orienta a política de água subterrânea. O diretor explica que a água subterrânea é um recurso estratégico principalmente para o consumo humano e um dos principais objetivos da política é o de preservar o recurso natural do ponto de vista econômico, social e ambiental. Segundo João Bosco, as águas subterrâneas são de domínio dos estados e o plano traça diretrizes de cooperação entre os entes federados. Durante o Congresso, que será realizado de 15 a 18, a Secretaria vai disponibilizar todo o material produzido com o Aquífero Guarani. A ampliação do conhecimento hidrogeológico e a caracterização dos sistemas dos aquíferos vão também subsidiar a gestão integrada das águas. Para isso, vêm sendo realizados, dentro do programa, estudos sobre a qualidade das águas, os balanços hídricos, parâmetros hidrogeológicos, definição de reservas, modelos de fluxo, áreas de carga e descarga, vulnerabilidade natural e risco de poluição e contaminação. Estão também sendo realizados estudos e projetos em escala local com o objetivo de conhecer especialmente os aquíferos localizados em regiões metropolitanas onde a água subterrânea constitui relevante manancial para o abastecimento público. No monitoramento quali-quantitativo o que se pretende é a ampliação da base de conhecimento hidrogeológico dos aquíferos brasileiros, acompanhando as alterações espaciais e temporais na qualidade e na quantidade das águas subterrâneas. Para trocar experiências e fazer uma atualização técnica da questão das águas subterrâneas, durante quatro dias de evento estão sendo esperados representantes de universidades, legisladores, reguladores, consultores e prestadores de serviço que vão aproveitar o encontro para mostrar suas experiências. De acordo com a Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (Abas), a maior parte da água disponível no mundo encontra-se sob a terra. Como exemplo é citado o caso do estado de São Paulo onde 80% dos municípios são total ou parcialmente abastecidos por água subterrâneas. O recurso natural atende a uma população de mais de 5,5 milhões de habitantes.
Fonte: MMA

MOTOS POLUEM ATÉ QUATRO VEZES MAIS QUE CARROS

Responda rápido: o que polui mais, carro ou moto? Se você pensou no veículo de quatro rodas, errou. Embora pareça lógico imaginar que as motocicletas sejam mais "verdes" por serem menores, estudos mostram exatamente o contrário. As novas motocicletas produzidas e vendidas em 2008 emitem até quatro vezes mais poluentes que os automóveis, mostra relatório da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo). O matemático Jucélio Rocha dos Santos, 29, pilotou moto por dois anos para tentar contornar o trânsito de São Paulo. Confiava que a sua, comprada em 2007, iria poluir menos do que um carro, "por ser menor e consumir menos combustível" e ainda mais "por ser moderna, com catalisador". Ledo engano. "Via de regra a emissão de poluentes das motos é sempre maior", diz Vanderlei Borsari, gerente da divisão de Transporte Sustentável e Emissões Veiculares da Cetesb. Segundo o diretor-executivo da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), Moacyr Alberto Paes, o atual nível de emissão de poluentes de motos pode chegar a até seis vezes mais do que o nível dos carros. A falta de espaço no veículo de duas rodas para instalar filtros, tratar o escapamento e motor é apontada como uma dificuldade técnica para fazer das motos instrumentos mais ecológicos. O Promot (Programa de Controle da Poluição do Ar por Motociclos e Veículos Similares) começou somente em 2003 a refinar técnicas para restringir a emissão de monóxido de carbono, 15 anos depois do Proconve (Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores). Apesar de, em 2009, o Promot ter imposto restrições ainda mais severas de emissão de poluentes das motos, ele se refere somente à produção e venda de veículos novos. De acordo com estudo da Cetesb, 49,8% das motocicletas que circularam em 2008 na região metropolitana de São Paulo não tiveram controle de emissões, pois foram produzidas antes do programa entrar em vigor. Outros 16,2% atenderam à fase 1 do programa e 34% à sua fase 2, com restrições mais leves.
Comparação de poluentes - O gerente da Cetesb informa que, para motos nacionais entre 151 a 500 cilindradas, a média ponderada - ajustando-se pelo total de veículos vendidos - de poluentes emitidos pela frota vendida em 2008 foi de 0,98 grama de CO por quilômetro rodado, quase o dobro dos automóveis a gasolina desse ano, de 0,51 grama de CO por quilômetro rodado. Para hidrocarbonetos, a relação foi maior ainda: a média dos poluentes emitidos por motos chegou a 0,25 gramas por quilômetro, cerca de quatro vezes mais que o índice obtido para os automóveis, de 0,069 gramas por quilômetro rodado. De acordo com a Abraciclo, a progressão dos limites máximos de emissão de poluentes de motocicletas passou, para o CO, de 13 gramas por quilômetro rodado, em 2003, para 2 gramas por quilômetro, em 2009 - 15% do inicial. Para os hidrocarbonetos, a redução foi de 1,5 gramas por quilômetro, em 2003, para 0,3 gramas por quilômetro rodado, neste ano - 20% do inicial. Já para o óxido de nitrogênio, a diminuição foi de 0,4 gramas por quilômetro para 0,15 gramas por quilômetro, no mesmo período - cerca de 40% do valor inicial. Não há limites no Promot para outros tipos de poluentes.
Bikeboys - Uma proposta para reduzir o uso de motocicletas é, como defende Thiago Benicchio, responsável pelo site Apocalipse Motorizado, a contratação de "bikeboys" em vez dos tradicionais motoboys. Dois exemplos de empresas que prestam esse serviço em São Paulo são a Bike Courier e a Exodus Express Bike. Esse tipo de serviço promete taxas menores e boa velocidade para percursos menores. De acordo com dados da Cetesb referentes a 2008, o Estado de São Paulo apresenta a maior frota automotiva registrada do Brasil, com 18,3 milhões de veículos automotores. Desses, 3,5 milhões são motocicletas, 1,1 milhão são movidos a diesel, e 13,7 milhões são outros veículos movidos a gasolina, álcool e gás.
Autor: Maurício Kanno

CHUVAS E ENCHENTES TRAZEM ALERTA DE MUDANÇA CLIMÁTICA


De São Paulo a Istambul, passando por Senegal, Santa Catarina e Escócia, o início do mês de setembro foi marcado por chuvas torrenciais, enchentes e outros fenômenos climáticos extremos - para cientistas entrevistados pela BBC Brasil, um lembrete sobre a urgência da necessidade de se adaptar às mudanças climáticas. "Certamente, as projeções feitas por modelos de computador sofisticados indicam um aumento na probabilidade de ondas de calor e na intensidade das chuvas, bem como um aumento no número de áreas que sofrem com secas", disse à BBC Brasil o professor Richard P. Allan, do Centro de Ciência para Sistemas Ambientais da Universidade de Reading, na Grã-Bretanha. Em 2007, o relatório do Painel Intergovernamental para Mudança Climática da ONU (IPCC, na sigla em inglês) já alertava que um aumento na "frequência (ou proporção do total da incidência de chuvas relativa à chuvas torrenciais) de 'eventos de forte precipitação'" era "muito provável", ou seja, mais de 90% provável. Diante da relativa segurança dos cientistas de que as temperaturas vão subir nos próximos anos, a recomendação do IPCC - reiterada por cientistas ouvidos pela BBC - é se preparar para uma ocorrência cada vez maior deste tipo de eventos. Para uma cidade como São Paulo, construída em torno do Rio Tietê, a adaptação é ainda mais urgente. "É preciso pensar no sistema de drenagem e na infra-estrutura da cidade, porque mais e mais eventos extremos devem acontecer. Pelo menos é essa a tendência que se pode ver hoje", afirmou à BBC Brasil o professor Bill McGuire, da University College London. Para o meteorologista britânico Simon Brown, colega de McGuire no Centro Hadley, a unidade do Met Office, o Departamento de Meteorologia britânico, investimentos em adaptação são questão de bom senso. "Se há uma vulnerabilidade natural para eventos naturais extremos relacionados ao tempo, e esses eventos extremos, diante do aquecimento global, vão se tornar mais frequentes, qualquer pessoa sensata se prepararia para isso", afirmou Brown. O especialista lembrou que cidades como Amsterdã, que fica abaixo do nível do mar e será muito afetada por outro provável efeito das mudanças climáticas, o avanço dos oceanos, já vem reforçando o seu complexo sistema de diques. Londres também se prepara, e já tem um plano que prevê reforços futuros na chamada "barreira do Tâmisa", um sistema de comportas capaz de controlar o nível da água do rio para evitar enchentes na capital britânica.
Adaptações - O financiamento para adaptação ao aquecimento global nos países mais pobres do mundo é um dos assuntos mais polêmicos em pauta para o encontro das Nações Unidas sobre o clima, que acontece em dezembro, em Copenhague. Em julho, o representante máximo da ONU para o assunto, Yvo de Boer, afirmou que US$ 10 bilhões por ano seriam "um bom começo" para que as negociações avancem. A previsão é de que países pobres como Bangladesh e pequenas nações insulares, com escassos recursos para se preparar para o futuro, sejam os maiores afetados pelo aquecimento global.Embora as catastróficas chuvas de semana passada na Turquia - que deixaram mais de 30 mortos - tenham sido as piores em 80 anos, segundo especialistas, não é possível associá-las diretamente às mudanças climáticas. "É sugestivo, mas não podemos fazer associações diretas entre eventos individuais e o aquecimento global, mas a ciência é bastante clara: quanto mais quente o ar ficar, mais umidade ele é capaz de transportar, o que facilita a ocorrência de chuvas torrenciais", afirmou Brown à BBC Brasil.
Fonte: Estadão

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

A RELIGIÃO PARA CONTER O DESERTO?


Só uma aliança entre a ciência e o sagrado poderia reverter os rumos.
A recente
divulgação de
mais um
relatório da
Organização
para a Alimentação e a Agricultura (FAO) da ONU, assim como novos congressos sobre desertificação no Brasil, trazem de volta o tema. O relatório da FAO, com um balanço dos últimos 20 anos, diz que a degradação do solo no mundo - medida pelo declínio nas funções e na produtividade de um ecossistema - já atinge mais de 20% das terras ocupadas pela agricultura, 10% das pastagens, 30% das áreas de floresta. E afeta 1,5 bilhão de pessoas, com insegurança alimentar, perdas agrícolas, perda da biodiversidade, necessidade de migrar. Também influi no clima, porque a perda de biomassa e de matéria orgânica no solo desprende carbono. E leva à redução do fluxo hidrológico, porque se reduz a capacidade de a terra desmatada reter água. A China está com 457 mil km2 afetados; a Índia, com 177 mil; a Indonésia, 86 mil; Bangladesh, 72 mil. Para o Brasil, o relatório aponta 46 mil km2, embora nossos relatórios nacionais mencionem 180 mil km2 em diferentes etapas do processo de desertificação, principalmente no Semi-Árido nordestino, mais Espírito Santo e Minas Gerais (11 Estados ao todo). Os relatórios apontam situações difíceis em áreas que o mundo se habituou a considerar desenvolvidas e ausentes de questões dessa natureza. É o caso da Espanha, por exemplo, onde um terço do território é considerado como de "risco significativo" nessa área, principalmente por causa da escassez de água. Até o fim deste século, prevê-se que o fluxo hidrológico ali, especialmente no sul do país, diminua 22%. Barcelona, cidade admirada e invejada, enfrenta uma escassez inédita, que a leva a disputar com outras zonas as águas do Rio Ebro (que quer transpor e captar, para diminuir a crise). E até a proibir que se encham piscinas. A Austrália é outra área com graves dificuldades, já que o fluxo das principais bacias hidrográficas caiu 41% - é o mais baixo em 117 anos, desde quando se têm registros - e afeta a produção de frutas, grãos e outros bens. Certamente é essa uma das razões que levaram o país (o maior exportador de carvão no mundo) a mudar sua posição e aderir ao Protocolo de Kyoto, sobre mudanças climáticas. As previsões dos cientistas para lá são de que as "ondas de calor" se tornarão muito mais freqüentes e afetarão ainda mais o fluxo dos rios (cada grau Celsius de alta na temperatura média pode reduzi-lo em 15%, dizem alguns cientistas). O fato é que o drama da desertificação avança à razão de 60 mil km2 por ano no mundo. E seriam necessários, diz a ONU, pelo menos US$ 12 bilhões anuais para programas de informação, monitoramento e recuperação de áreas. Mas esses recursos não estão disponíveis, embora os prejuízos anuais sejam muito maiores que isso, sem falar no drama das migrações e conflitos que provocam. No Brasil mesmo, os R$ 500 mil anuais teoricamente disponíveis para o Fundo de Iniciativas Sociais no Semi-Árido têm sido reduzidos a ridículos R$ 25 mil/ano. Quando deveríamos ser muito mais cuidadosos. Além do Semi-Árido, as imagens de satélites mostram cada vez mais pontos problemáticos em todo o território nacional, da fronteira gaúcha ao sudoeste goiano. E já há alguns anos o Ministério do Meio Ambiente apontava uma perda de 90 milhões de toneladas anuais de solo fértil por ano no Cerrado, por causa de erosão; no Rio Grande do Sul, 80 milhões/ano; no País todo, 1 bilhão de toneladas anuais. É possível que o plantio direto nas lavouras de grãos tenha reduzido esses números, mas eles ainda são altos. E a área de pastagens degradadas é enorme: em Goiás, na última negociação com o Fundo do Centro-Oeste, foram apontados 70% das pastagens em algum estágio de degradação. No mundo, estima-se que a perda seja de 23 bilhões de toneladas anuais de solo. E leva 30 anos para o solo em descanso recompor uma polegada de terra fértil. Enquanto tudo isso acontece, ganha mais corpo uma discussão que ao longo das últimas décadas se desenvolveu timidamente, confinada quase apenas a áreas ditas "ambientalistas". Um dos primeiros a expô-la foi o biólogo Paul R. Ehrlich, da Universidade de Stanford, na Califórnia - segundo quem o problema da relação do ser humano com seu meio físico e com as espécies das quais depende só terá encaminhamento com o que chama de "recuperação do sagrado", quando nossa espécie reconhecer o direito à vida de todas as espécies, independentemente de sua utilidade para os humanos (como alimentos ou materiais). Diz ele (Biodiversidade, Editora Nova Fronteira, 1997) que "a causa básica da decomposição da diversidade orgânica não é a exploração ou a maldade humana, mas a destruição de hábitats que resulta da expansão das populações humanas e suas atividades". Para ele, "muitos desses organismos que o Homo sapiens está destruindo são mais importantes para o futuro da humanidade do que a maioria das espécies sabidamente em perigo de extinção; as pessoas precisam mais de plantas e insetos do que precisam de leopardos e baleias (sem querer com isso menosprezar o valor dos dois últimos)". Seu prognóstico: "A extrapolação das tendências atuais na redução da biodiversidade implica um desfecho para a civilização dentro dos próximos cem anos." E o único caminho para reverter esse quadro "talvez seja uma transformação quase religiosa, que leve à apreciação da diversidade por si própria, independentemente de seus benefícios diretos para a humanidade". É o mesmo caminho proposto pelo coordenador da obra, o biólogo Edward O. Wilson, em outro livro - A Criação, Companhia das Letras, 2007) - já comentado neste espaço. Wilson acha que a única possibilidade de mudança rápida no padrão civilizatório, capaz de rever os rumos, está numa aliança entre a ciência e a religião. Pois não é que o Equador está discutindo incluir em sua Constituição os "direitos da natureza"?

Autor: Washington Novaes

LENTA AGONIA SOB AS ÁGUAS

A morte dos corais, causada pela poluição, ameaça 2 milhões de espécies nos oceanos

Os recifes de corais, apreciados por sua beleza e profusão de cores, têm um papel fundamental para os oceanos. Estima-se que sirvam de abrigo para 2 milhões de espécies de peixes, moluscos, algas e crustáceos – um quarto de toda a vida marinha. Tamanha biodiversidade só encontra paralelo nas florestas tropicais. Há tempos os cientistas observam com apreensão a degradação e a morte dos corais em diversas regiões do planeta, como o Caribe e a Indonésia. A culpa seria da poluição produzida pelo homem e do aumento das temperaturas na Terra. Duas semanas atrás, com a divulgação do primeiro estudo global sobre a saúde dos corais, feito por 39 cientistas de catorze países, revelou-se que a situação dessas criaturas é pior do que se pensava. Das 1.400 espécies de corais conhecidas, 231 estão em diferentes graus de risco de extinção. Há dez anos, as espécies ameaçadas eram apenas treze. Quando os corais se extinguem, o mesmo ocorre com as plantas e os animais que deles dependem para obter alimento e refúgio contra os predadores. "Não estamos falando apenas da perda de alguns corais, mas da possibilidade de desaparecimento de enormes áreas desses ecossistemas num período de cinqüenta a 100 anos", afirma Alex Rogers, da Zoological Society of London e um dos autores do estudo, coordenado pela International Union for the Conservation of Nature (IUCN). Os recifes de corais também beneficiam as populações nas regiões litorâneas. Eles servem como um escudo que absorve a movimentação dos mares e diminui a erosão costeira. De acordo com um estudo da ONU, o tsunami que se abateu sobre a Ásia em 2004 causou menos destruição nas áreas onde há recifes de corais. Além disso, os recifes formam regiões pesqueiras em seu entorno e são um chamariz para o turismo. Ainda segundo a ONU, os corais proporcionam benefícios da ordem de 30 bilhões de dólares anuais e produzem renda para 200 milhões de pessoas. O declínio mais drástico no número de corais ocorreu entre 1997 e 1998, durante o fenômeno climático El Niño, que provocou o aquecimento das águas e, em conseqüência, a destruição de enormes trechos de formações de corais nos oceanos tropicais. A elevação da temperatura das águas provoca a morte das algas zooxantelas, que vivem em relação de simbiose com os recifes. São essas algas que, afixadas aos tecidos moles dos corais, lhes fornecem os nutrientes necessários à sua sobrevivência e lhes dão a característica aparência multicolorida. O calor leva ao branqueamento dos recifes e à morte maciça de corais. Um efeito colateral do aquecimento global, a acidificação dos oceanos, também é fatal para a saúde dos corais. Ao absorver o excesso de dióxido de carbono na atmosfera, as águas oceânicas tornam-se mais ácidas, o que compromete a capacidade dos corais de construir seus esqueletos calcários. Como se não bastassem os males do efeito estufa, a ação direta do homem também tem conseqüências nefastas para os corais. Os resíduos provenientes do esgoto e do lixo de cidades litorâneas ou de fertilizantes usados na agricultura provocam proliferação de vários tipos de alga que competem com os corais e os asfixiam. A pesca predatória – sobretudo com o uso de dinamite, como ocorre na Ásia, ou com redes pesadas – reduz grandes áreas dos recifes a ruínas. A construção de resorts em zonas litorâneas também coloca os corais em risco. "O surgimento dessas zonas hoteleiras acaba incentivando a depredação dos recifes para a comercialização de pedaços de coral usados como suvenir e peça ornamental", diz o oceanógrafo David Zee, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, especialista em ecossistemas urbano-costeiros. Um exemplo de boa iniciativa para a preservação dos corais vem da Austrália. O país estabeleceu áreas protegidas na Grande Barreira de Corais, limitando o acesso de visitantes, e passou a controlar o uso de fertilizantes nas plantações próximas à costa para evitar a contaminação. O objetivo é reverter as previsões de que, até 2030, metade dos corais da barreira australiana, que se estende por 350.000 quilômetros quadrados, estará morta. A expectativa dos cientistas é que o exemplo australiano seja seguido em outras regiões do mundo. No Brasil, um estudo da Universidade Federal da Bahia e da Conservação Internacional, divulgado há dois meses, mostra que são necessárias medidas urgentes para proteger os corais do Arquipélago de Abrolhos, no litoral da Bahia, afetados pela poluição e pelo turismo. Os recifes de Abrolhos são objeto de estudo desde 1980. Em 2005, os primeiros corais doentes foram detectados. A pesquisa mostra que, se nada for feito, 40% dos corais do arquipélago desaparecerão nos próximos cinqüenta anos.

Autor: Vanessa Vieira

ECOSSISTEMAS DO ÁRTICO SÃO GRAVEMENTE AFETADOS PELO AQUECIMENTO

A temperatura média da superfície terrestre subiu 0,4°C nos últimos 150 anos. Mas no Ártico o aquecimento foi duas a três vezes maior. Nas últimas duas a três décadas, a extensão mínima da calota de gelo sobre o mar ártico recuou 45 mil quilômetros quadrados por ano. Evidentemente, isso não pode ocorrer sem consequências. Pesquisadores liderados por Eric Post, do departamento de biologia da Universidade Estadual da Pensilvânia, publicaram na “Science” um balanço dos impactos do efeito estufa sobre ecossistemas do Polo Norte. As espécies mais afetadas são aquelas que dependem do gelo para obter provisões, reproduzir-se e para escapar de predadores. Estão nessa situação incômoda a foca-de-crista ou foca-de-capuz (Cystophora cristata), a foca anelada (Pusa hispida), a morsa do Pacífico (Odobenus rosmarus divergens), o narval ou unicórnio-do-mar (Monodon monoceros) e o urso polar. Mas há muitos outros sinais de desarranjo. Por exemplo: a população de raposas-do-Ártico (Alopex lagopus) está declinando em certas áreas, enquanto cresce a de raposas-vermelhas (Vulpes vulpes). Em algumas regiões da Groenlândia, o princípio da temporada de crescimento de vegetação foi antecipado, enquanto o período de procriação das renas (Rangifer tarandus) continua como sempre foi. O auge de oferta de alimento acontece agora antes do pico de demanda das fêmeas prenhes. Quando elas mais precisam, a comida já está escasseando. O resultado disso é um desequilíbrio de ciclo nutricional que está reduzindo o número das crias e abreviando seu tempo de vida. Essas alterações aceleradas que estão sacudindo o Ártico, todas vinculadas ao clima, podem ser um indício de mudanças prestes a ocorrer em latitudes mais baixas, avisa a equipe de Post.

Fonte: G1

FLORESTAS DO RIO VIGIADAS NA WEB

Tecnologia, natureza e cidadania. Estas palavras se fundem num projeto que visa a preservar a Floresta da Tijuca e as matas do Maciço da Pedra Branca. Trata-se de um programa de monitoramento por satélite da cobertura vegetal da mata, concebido por pesquisadores da PUC do Rio. As imagens capturadas vão servir para acompanhar eventuais avanços da ocupação urbana sobre o verde. E, o melhor, o projeto prevê a participação popular, via internet: internautas terão acesso em tempo real ao monitoramento, poderão fazer denúncias sobre desmatamento e acrescentar informações num mapa interativo que estará disponível na web. "É como no Google Earth, onde os internautas podem acrescentar informações sobre a região onde moram. A gente quer dar ferramentas para a população, para que a sociedade assuma um papel maior na gestão da floresta e, por consequência, da cidade", diz o coordenador do projeto, o geógrafo Luiz Felipe Guanaes Rego, da PUC carioca.
Mapa interativo - Quer dizer, o internauta vai poder não só verificar (e fiscalizar) onde estão ocorrendo as agressões à floresta. No mapa interativo, ele poderá acrescentar informações sobre desmatamentos, denunciar alguma ocupação irregular e se manifestar através de um texto que ficará incorporado ao mapa. O internauta terá opção de enviar e-mail para autoridades, cobrando ações e fazendo denúncias – neste projeto, há uma parceria com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente, que encomendou o serviço. "Além disso, os dados coletados pelo satélite e acrescentados no mapa interativo poderão servir de prova jurídica para o cidadão entrar com uma ação no Ministério Público. Uma vez que ele poderá imprimir os relatórios gerados pelo programa", diz Luiz Felipe. O geógrafo comenta que a sociedade contemporânea, com o boom da tecnologia digital, vive um momento único no que se refere à representação do espaço. "Quase todo mundo já viu sua casa no Google Earth. O entendimento do espaço geográfico está mudando. Daí, a importância do nosso sistema. Tendo a informação de onde a Floresta da Tijuca está sendo destruída, o cidadão pode intervir diretamente. Queremos estimular esta participação, esta pressão social", diz o geógrafo. Outro ponto que Luiz Felipe destaca é o ineditismo do projeto, desenvolvido pelo Nima (Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente da PUC-Rio). "Existe uma deficiência no monitoramento da Mata Atlântica. O Inpe, por exemplo, monitora a Amazônia. Mas as características dos dois ecossistemas são diferentes. A Amazônia é plana e tem baixa densidade habitacional. Já a Mata Atlântica, a exemplo da própria Floresta da Tijuca, tem relevo montanhoso e está cercada da presença de cidades. Cerca de 80% da população brasileira vive no que restou deste ecossistema", diz. O projeto da PUC carioca, chamado oficialmente de Programa Integrado de Monitoria Remota de Fragmentos Florestais e de Crescimento Urbano no Rio de Janeiro (Pimar), utiliza registros fotográficos de satélite, captados de seis em seis meses. Estas fotos serão comparadas, para mostrar se e onde ocorreu desmatamento. Mas a diferença é que os pesquisadores criaram um programa de computador que fará esta comparação automaticamente. Como numa espécie de laudo científico.
Tecnologia de ponta - "Estamos lidando com uma tecnologia de ponta. Só a PUC detém o conhecimento desta classificação automática de imagens", diz Luiz Felipe. A parte estritamente tecnológica do projeto é feita por pesquisadores de outras especialidades, como o engenheiro Raul Feitosa, coordenador técnico do Pimar. Segundo ele, o satélite americano Ikonos fornece imagens em alta resolução. "Um pixel da imagem corresponde a uma área de um metro quadrado. Então, podemos ter uma visão bem acurada das alterações na floresta", diz Feitosa. Segundo ele, além do mapeamento feito com as ferramentas tecnológicas, haverá um posterior trabalho de campo: "Após o levantamento fotográfico e as interpretações tanto automáticas quanto por parte de nossa equipe, será feito um trabalho de campo para validar o método e determinar possíveis erros de medida", diz Feitosa. O projeto é fruto de mais de dez anos de pesquisa e vai servir como piloto para monitoramento da Mata Atlântica em outras cidades do país. Segundo os pesquisadores, o sistema estará disponível para o cidadão intervir possivelmente este ano.
Mas ele pode ter uma prévia acessando o endereço http://www.nima.puc-rio.br/sobre_nima/projetos/pimar/index.php.

Autor: Marcelo Gigliotti